Sem sombra de dúvida, um dos melhores animês a que já assisti na minha vida!
Fácil. Fácil. O. Melhor. De. 2013!
IMPORTANTE: NÃO continue a leitura
se você NÃO quiser saber de spoilers!
Baseado na obra homônima de grande sucesso do mangaká
Hajime Isayama, cuja publicação acontece mensalmente na
Bessatsu Shounen Magazine (e, em breve,
vai sair no
Brasil, pela
Panini),
Shingeki no Kyojin (ou, o título em inglês,
Attack on Titan, como preferirem) estreou num sábado, 6 de abril,
no
Japão. E conseguiu extrapolar
todas as expectativas! Trilha sonora excelente, bom enredo, direção acertada -
tudo funciona. Talvez uma crítica maior fosse à qualidade da animação, que
oscila entre ótima e péssima, mas completamente aceitável (o ritmo de produção
de uma série de animação semanal deve ser alucinante!) – andei pesquisando na
Internet e vi que na versão
DVD/Blu-Ray
eles dão uma boa corrigida nas imperfeições.
A aceitação do público foi estrondosa –
hype
total (mesmo antes de estrear), só se comenta disso – e conseguiu atingir
diferentes tipos de pessoas, do leigo ao
otaku
mais fervoroso. É engraçado notar que Isayama, ainda adolescente (hoje ele tem
27 anos), levou o projeto do mangá até um editor da poderosa
Shounen Jump (lar de
Dragon Ball,
Cavaleiros do Zodíaco,
Samurai
X,
Naruto...). O editor conferiu
o trabalho e respondeu algo na linha:
“Não
quero que faça mangá, quero que me mostre Shounen Jump
”. Mesmo arrasado, Isayama não desistiu.
Nós agradecemos, sensei.
E acabou sendo bem positiva a ida dele para uma revista menos conhecida e de
outra editora – ele teve mais liberdade criativa. Num primeiro olhar
superficial você pode até achar que se trata de
apenas mais um battle shounen,
tem aquele personagem principal cheio de motivação e determinação (assim como
Goku,
Gon,
Natsu,
Naruto,
Seiya...), uma história com bastantes duelos, mas, devido a
elementos utilizados constantemente, como morte, violência e sangue e também à
complexidade narrativa, é inevitável notar uma grande influência de
seinen (aquele mangá masculino mais
adulto) – vira quase uma junção dos estilos –, o que pode ter sido um dos
motivos de recusa da obra na Jump, que é voltada exclusivamente para o
shounen (porém, vale lembrar, já
publicou
Jojo’s Bizarre Adventure e,
mais recentemente,
Death Note).
A história se passa num mundo distópico e de aspecto medieval, onde os
humanos vivem refugiados dentro de verdadeiras muralhas que os separam do
território habitado pelos temidos titãs - a maioria, gigantes sem nenhuma inteligência
cujo único intuito é devorar os humanos. Há três muralhas principais:
Maria, a primeira, por isso a mais
vulnerável aos ataques dos titãs;
Rose,
a muralha intermediária; e
Sina, no
centro, local em que vive o rei. A Segurança do reino também é dividida em
três, no caso, três guarnições: a
Tropa
de Exploração, representada pelas Asas da Liberdade em seu brasão, que tem
como objetivo explorar o território afora das muralhas; a
Tropa Estacionária – a maior das guarnições –, que guarda os muros
e mantém a ordem entre a população, seu símbolo é formado por duas rosas; e a
Polícia Militar, a divisão mais
prestigiada das Forças Armadas, e a mais corrupta, a qual a função é proteger o
rei, o que permite seus soldados a residirem dentro da Muralha de Sina (um
unicórnio está na sua insígnia). A humanidade viveu em paz por cerca de 100
anos até que um dia tudo desmoronou, literalmente.
Não poderia deixar de comentar sobre o
DMT
(o Aparelho de Movimentação Tridimensional –
Three Dimensional Maneuver Gear), um aparelho indispensável para um
soldado, desenvolvido para auxiliar no combate contra os titãs. Tem quase a
mesma função que os lançadores de teia do
Homem-Aranha,
só que em vez de teia saem resistentes fios de aço. Exige bastante treinamento.
É abastecido por cilindros de gás comprimido.
Ao longo dos anos, os humanos, arduamente, conseguiram capturar alguns titãs
e estudaram sua fisiologia – eles são extremamente quentes (sai vapor deles!),
se regeneram rapidamente, não possuem órgãos genitais (como se procriam?),
variam de três a vinte metros de altura e usam o Sol como alimento. Também
descobriram o ponto fraco das criaturas: uma região na base da nuca – corte ali
e o titã cai, derrotado. Alguns, os mais difíceis de se enfrentar, têm a
habilidade de saltar, rastejar ou correr. No entanto, a maioria é lenta e só
pensa em comer, quase como os zumbis clássicos.
As pessoas vivem alienadas do perigo que as cercam e as que desejam conhecer
o exterior são consideradas tolas, loucas ou hereges. Em meio a esse panorama
surge o protagonista da história, o garoto
Eren
Jaeger. Ele vive no distrito de
Shiganshina,
uma espécie de protuberância [que serve para proteger um dos portões] da
Muralha de Maria, com a mãe, uma dona de casa, o pai, o renomado médico do
vilarejo, e
Mikasa Ackerman, uma garota
cuja família foi assassinada (um dos episódios é dedicado em explicar o sofrido
passado da personagem). O maior sonho de Eren é poder sair das muralhas para
explorar o território selvagem – ele critica a forma como a humanidade está
vivendo, igual a animais em cativeiro.
Armin
Arlert, seu melhor amigo, compartilha do mesmo sonho.
Durante uma linda tarde ensolarada que parecia como qualquer outra, os
habitantes de Shiganshina avistam aquele que seria apelidado de
Titã Colossal, por possuir cerca de 60
metros de altura. É tão grande que sua cabeça ultrapassa os limites da
imponente muralha. Ele destrói uma parte do muro facilmente. Algumas pessoas já
morrem naquele instante, atingidas pelos destroços. Então, o Titã Colossal
desaparece tão misteriosamente quanto apareceu. Os diversos titãs [de estatura
comum] que se aglomeravam em volta da muralha começam a entrar. O desespero
toma conta de todos. As Tropas Estacionárias não dão conta e muita gente, em
muito pouco tempo, é devorada – e aí se incluem os próprios soldados. O ritmo
frenético do episódio parece o de um filme catástrofe hollywoodiano.
O pai de Eren estava fora do distrito, numa expedição, porém sua mãe ainda
estava em casa – que ficava na mesma direção onde muitos destroços foram
arremessados. Ele sai em disparada e Mikasa corre atrás dele. Armin, sempre
esperto, vai procurar ajuda.
Uma pedra enorme caiu sobre a casa dos Jaeger. Por consequência, o telhado
cedeu e a mãe de Eren ficou presa embaixo. É muito pesado para duas crianças
levantarem. E, mesmo se possível, um titã se aproximava. É um momento de muitas
lágrimas. Avisado por Armin,
Hanneth,
um dos combatentes da Tropa Estacionária, aparece para ajudá-los. Ele se
compromete a lidar com o titã. Todavia, ao encarar o olhar demoníaco do
monstro, constata ser impossível vencer, principalmente, sozinho. Agarra as
crianças e foge dali. A mãe de Eren, bastante emocionada, agradece.
Eren, nos ombros de Hanneth, tentando se desvencilhar, acompanha, impotente,
o titã remover os escombros de cima de sua mãe, segurá-la na mão, espremê-la e,
por fim, enfiá-la na boca, dando uma mastigada. É nesse instante que vemos
aflorar a motivação do nosso herói: vingança. O ódio pelos titãs se torna tão
forte que ele dedicará toda sua vida, se preciso, para exterminá-los.
Através de barcos, o trio de amigos (Eren, Mikasa e Armin) consegue fugir
para dentro da Muralha de Maria. Subitamente, surge um novo titã com
habilidades especiais. Ele será conhecido pelos sobreviventes como o
Titã Encouraçado, pelo aspecto
instransponível de sua pele (as balas de canhão nem arranham!). Ele se lança
contra o portão que separa Shinganshina do interior da muralha. A Muralha de
Maria está perdida.
Tendo seu maior território tomado, a única solução foi recuar até a Muralha
de Rose. Mas a humanidade não suportou o exponencial “aumento” inesperado da
população. Não havia comida para todos. Antecipando um verdadeiro colapso, o
governo bolou um plano de retomada da Muralha de Maria (que serviria como válvula
de escape) e enviou muitos dos refugiados para a missão suicida. De milhares,
centenas retornam. O avô de Armin foi um dos que não retornaram.
Cinco anos se passam. Eren, Armin e Mikasa viraram recrutas das Forças
Armadas (duas espadas cruzadas formam o símbolo do
Esquadrão de Recrutas). A garota (tão obcecada pelo Eren quanto ele
é pelos titãs!) é, disparada, a melhor aluna da classe, uma exímia lutadora.
Armin, inteligentíssimo, mostra-se um competente estrategista. Eren é obstinado
e não deixa nada abalá-lo. Novos personagens importantes também nos são
apresentados: o cabo
Rivaille (ou
Levi), um ex-criminoso que se tornou o
melhor soldado da Tropa de Exploração; o comandante da Tropa,
Erwin Smith, com duas decisões nada
ortodoxas;
Jean, que começa com um simples
antagonista de Eren e cresce a ponto de ser apontado como o líder dos novatos;
Hanji, uma cientista e integrante da
Tropa;
Sasha;
Annie;
Christa;
Connie...
Um dos grandes trunfos deste animê é a imprevisibilidade. É impressionante a
rapidez com que Isayama descarta suas crias,
a la George R. R. Martin.
Ele não tem dó. Cedo ou tarde acabam na boca de um titã – ou esmagados por um. Por
exemplo, num dos momentos mais intensos da série, no arco da Batalha de Trost,
com a Muralha de Rose também comprometida, presenciamos, estarrecidos, num dos
violentos confrontos que se seguem, o que pensamos ser a morte do protagonista
– ocorrida de forma tão abrupta, logo no quinto episódio (de 25) da temporada.
Gosto tanto desse fator surpresa, que foi o que me impediu de continuar lendo o
mangá durante a exibição do animê.
Num dos arcos seguintes, cheio de reviravoltas, acompanhamos uma missão da
Tropa de Exploração, no território ocupado pelos titãs. O objetivo é chegar ao
distrito de Shiganshina para checar o porão da destruída casa de Eren. Parece
que o Dr. Jaeger (atualmente desaparecido) guardava ali um grande segredo sobre
os titãs. Durante a missão, ficamos sabendo que a intenção do comandante é, na
verdade, expor um traidor infiltrado na Tropa...
As vendas do mangá, alavancadas pelo anime (aconteceu algo parecido, em
menor escala, é claro, com
Kuroko no
Basket e
Magi), já ultrapassam 20
milhões de unidades. O DVD e o Blu-Ray, contendo o 1º e o 2º episódios, foram
os mais vendidos de 2013, no Japão. O último episódio da temporada, o 25º, será
exibido em 16 salas de cinema de Tóquio, no dia 28 de setembro. Ou seja, tudo
só confirma o estrondoso sucesso da série. O que você está fazendo que ainda
não assistiu? Não se preocupe, eu guardei vários detalhes da trama. Depois
volte aqui e deixe seu comentário! Estou curioso para saber sua opinião.